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Júri de mulher que confessou ter dopado e queimado vivo o marido acontece nesta quarta-feira em Camaquã

O crime ocorreu em 15 fevereiro de 2021, na localidade de Colônia Nova.

26/04/2022 às 19h33
Por: Júnior Rafael Fonte: Observador Regional
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Foto: Divulgação
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O julgamento da agricultora Elizamar de Moura Alves, de 36 anos, acusada de dopar e queimar vivo o próprio marido, na zona rural de Dom Feliciano, deve acontecer nesta quarta-feira (27), no Fórum da Comarca de Camaquã. O crime ocorreu em 15 fevereiro de 2021, na localidade de Colônia Nova, onde a ré vivia com a vítima e os dois filhos frutos da união.

O caso ganhou repercussão em maio do ano passado, após a mulher ser presa preventivamente e confessar a autoria do assassinato. Primeiramente, Erni Pereira da Cunha, de 42 anos, foi dado como desaparecido. A acusada, inclusive, chegou a registrar ocorrência sobre o desaparecimento na Delegacia de Camaquã. Todavia, a polícia passou a desconfiar de Elizamar por conta de várias informações de depoimentos dela que não coincidiam.

No decorrer da investigação, as autoridades descobriram que a acusada havia pesquisado na internet, um dia antes do crime, sobre como matar uma pessoa utilizando veneno. O casal estava junto há 21 anos e tinha dois filhos – um rapaz de 20 e uma adolescente de 16 anos. A mulher declarou que, após dopar o companheiro, ela arrastou o homem, ainda com vida, para a estufa de tabaco, que fica nos fundos da propriedade do casal. Nisso, colocou o corpo na fornalha, onde ele ficou queimando por três dias. Laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) de Pelotas encontraram fragmentos de ossos na fornalha. A polícia chegou a prender preventivamente o filho mais velho por suspeita de participação no crime. Mas, depois de alguns dias no Presídio Estadual de Camaquã, ele foi liberado por falta de provas.

Elizamar está detida na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela é ré por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. As agravantes apontadas no processo são: recurso que impossibilitou a defesa da vítima (por ela ter dopado o marido), e emprego de meio cruel (por ter queimado o homem vivo). A denúncia foi ingressada no Ministério Público (MP) em junho do ano passado.

O Tribunal do Júri está marcado para as 9 horas e será presidido pelo juiz Daniel de Souza Fleury. Representando o MP, atuará o promotor Francisco Saldanha Lauenstein. Já a defesa é composta pelos advogados Marcos Antônio Hauser, Mikaela Schuch e Igor Roberto Freitas Garcia. Eles alegam que Elizamar sofria agressões e ameaças do marido. Porém, de acordo com a polícia, não havia nenhum registro de violência doméstica contra o homem. Mas os filhos confirmaram as agressões e ameaças durante depoimento. Outras possíveis motivações para o crime foram apontadas, como o fato de que Erni costumava beber, e a descoberta de que ele mantinha um caso extraconjugal. No total, serão ouvidas seis testemunhas: três de defesa e três de acusação.

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