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Três de Maio - RS

Rural Pecuária leiteira

Produção de leite a pasto é alternativa para redução de custos na atividade

Engenheiro agrônomo Josué Carpes Marques explica que o uso adequado de pastagens na dieta de vacas leiteiras propicia um ambiente ruminal mais saudável e, com isto, o animal tem condições de produzir leite de boa qualidade e com menor risco de desenvolver doenças metabólicas

09/11/2021 às 07h11
Por: Redação Fonte: Assessoria de Comunicação Unitec
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Foto: Reprodução
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A maneira de alimentar o gado leiteiro faz a diferença quando o assunto é um melhor equilíbrio de renda para o produtor. Isto porque a alimentação do rebanho representa mais da metade do custo total de produção. Todos os sistemas de produção de leite podem ser viáveis economicamente, desde que respeitadas as características de cada um e identificado o perfil do produtor para o sistema a ser utilizado. 

Contudo, com a alta dos preços da soja e do milho, principalmente, que compõem a ração na dieta dos animais, a alimentação a pasto está voltando a ganhar espaço. “Sem sombra de dúvida, o sistema que preconiza o pasto como prioridade é um dos mais baratos e com baixo custo de investimento em estruturas e instalações. Então, neste momento de custos elevados em instalações, concentrados e silagens, é uma alternativa para reduzir os custos de produção da propriedade.” A afirmação é do engenheiro agrônomo Josué Carpes Marques, associado da Unitec.

Segundo o profissional, como a vaca leiteira é um ruminante, o uso adequado de pastagens na dieta propiciará um ambiente ruminal mais saudável e, com isto, o animal tem condições de produzir leite de boa qualidade e com menor risco de desenvolver doenças metabólicas. “É importante lembrar que a silagem e o concentrado podem entrar na alimentação como complementos, para ajuste das necessidades nutricionais do animal e adequação da produtividade que se quer das vacas”, acrescenta.

Marques destaca que a composição dos custos de produção da atividade leiteira envolve vários fatores, tais como sistema de produção, região, clima, mercado, perfil do produtor e gestão da propriedade. “Então, baseado em nossa experiência, os dados mostram que o custo total do leite na propriedade pode variar entre 60% a 85%, em média. Sendo que, deste total, a alimentação pode representar até 70%.”          

“Por isso, a alimentação a pasto é uma das alternativas que podemos lançar mão, neste momento, para reduzir estes custos. Para se ter uma ideia, se potencializarmos a oferta de pastagens de qualidade na dieta das vacas, poderemos reduzir a quantidade de silagens. Assim, com a mesma quantidade de concentrado, podemos aumentar a produtividade das vacas. Esta opção pode trazer uma redução no custo da alimentação de até 20 a 25% por dia por vaca”, exemplifica o associado da Unitec.

Rio Grande do Sul tem solos e condições climáticas adequadas para produção de excelentes pastagens

Segundo Marques, o trabalho de pesquisa dos últimos anos propiciou uma oferta de espécies forrageiras de alta qualidade para o gado leiteiro. Neste aspecto, o Rio Grande do Sul, por estar no sul do Brasil, é privilegiado. “Aqui temos solos e condições climáticas adequadas para produzirmos excelentes pastagens, tanto no período de verão quanto no inverno”, acrescenta.

Em relação aos tipos de forrageiras, ele explica que há uma grande gama de opções de espécies, sendo que o que vai determinar a espécie mais indicada são fatores como tipo de solo, clima da região, estrutura da propriedade e a tecnologia que o produtor está disposto a aplicar.

“Primeiramente, é importante que o produtor tenha perfil para trabalhar com pastagens. Segundo, é necessário mudarmos a ‘nossa cultura’ sobre uso de pastagem de qualidade, pois ainda encontramos algumas vezes aquela visão de que ‘pastagem não precisa grande investimento, a natureza oferece o que ela precisa e o manejo não é importante’. Digo que para termos uma ótima pastagem em nossas propriedades precisamos trabalhar alguns fatores fundamentais como fertilidade do solo (análise do solo, correção e adubação), implantação da pastagem (preparo da área, escolha da semente e plantio) e, por fim, manejo propriamente dito da pastagem (piqueteamento, altura de uso, resteva e controle de pragas/doenças e invasoras), ou seja, precisamos ter uma visão empresarial sobre o sistema de produção.”

Ao finalizar, Marques ressalta que a atividade leiteira é um grande desafio e que neste sentido a Unitec conta com profissionais habilitados que podem auxiliar os produtores de leite neste processo. 

Josué é um dos sócios-fundadores da Unitec. Atualmente, sua principal atividade é prestação de serviço ao Senar-RS, como instrutor nas áreas de bovinocultura de leite, bovinocultura de corte e gestão rural. Além disso, presta consultorias para propriedades de leite na área de alimentação.

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