19°

Poucas nuvens

Santa Rosa - RS

Geral Cinomose

Cinomose: uma cruel doença que seu pet não precisa passar

A Médica Veterinária, Amanda Luiza Gauger, explica sobre a doença que causou surtos na região

25/10/2021 às 14h17 Atualizada em 25/10/2021 às 15h12
Por: Giovana Herpich
Compartilhe:
Cinomose: uma cruel doença que seu pet não precisa passar

A cinomose é uma doença infecto contagiosa, que afeta cães de qualquer raça ou faixa etária, mas em função da menor imunidade, acomete muito os filhotes. Ela é causada por um vírus, o qual é transmitido por aerossóis, gotículas de saliva contaminadas ou contato focinho com focinho em uma aproximação entre animais doentes e saudáveis. Após o contato o vírus se multiplica nas células de defesa do organismo, se espalha através do sistema linfático por todo organismo, e dentro de 8 a 10 dias após o contato se instala no sistema nervoso central.

A informação é da Médica Veterinária Amanda Luiza Gauge, proprietária da Pet Mania. A profissional explica que por volta de duas a três semanas após o primeiro contato começa a ocorrer desmielinização das células nervosas. "Como o vírus da cinomose se instala nas células de defesa e as destrói, o animal fica com o sistema imune totalmente indefeso e despreparado, propiciando assim a invasão de outros vírus e bactérias, que se aproveitam da situação para colonizarem o organismo do pet causando várias doenças concomitantes. Assim, os sinais clínicos variam muito conforme a fase da doença e também se o animal já está com alguma doença concomitante".

Sintomas da Cinomose

A Médica Veterinária esclarece que os sintomas mais clássicos e mais fáceis de detectar são um animal cansado, apático, falta de apetite, diarréia, vômito, febre alta, secreção purulenta nos olhos , secreção nasal (catarro), dificuldade respiratória. Depois desses primeiros sintomas, a doença progride para a fase nervosa, onde ocorrem convulsões, paralisia, andar cambaleante, falta de coordenação motora e tiques nervosos (como se o animal estivesse levando choques elétricos).

Tratamento

O tratamento é puramente sintomático, assim como as doenças causadas por vírus em humanos, ela não possui um tratamento específico. É realizada uma avaliação diária da condição do paciente e a necessidade de medicação para cada um dos sintomas, podendo durar de dias a meses, proporcionalmente a extensão das lesões e doenças concomitantes.

"O primeiro questionamento dos tutores ao chegarem no consultório é sobre as chances de sobrevivência desse animal. Neste cenário muitos são os fatores que influenciam no tratamento e possibilidade de recuperação, mas o principal deles é o tempo desde o contato do pet com o vírus até o início do tratamento", afirma.

Segundo ela, quanto mais tempo se passou, maiores são as chances de lesões irreversíveis no sistema nervoso do cãozinho. A doença é extremamente cruel, pois muitos são os casos em que ela leva o animal a invalidez total, onde o mesmo não anda, não consegue se alimentar e nem viver sem ajuda de suporte e aparelhos, sendo necessária a eutanásia (intervenção na qual é necessário reduzir o tempo de vida do animal em função do extremo sofrimento). Uma das curiosidades da doença é que a cinomose não afeta seres humanos, sendo assim podemos conviver e cuidar de um animal doente sem corrermos riscos a nossa integridade física.

Diante de uma doença tão cruel e que tem um difícil tratamento, qual seria então o caminho para evitarmos ela?

A prevenção é quem dita as regras por aqui. Conforme Amanda, a vacinação em massa de todos os cães têm papel fundamental para evitarmos surtos e mesmo casos isolados. Essa vacina é aquela recomendada pelos Médicos Veterinários a ser efetuada a partir de 45 dias de vida do pet. Animais vacinados com vacina adequada, feita por Médico Veterinários treinados e com protocolo correto, desenvolvem proteção acima de 90%, e aqueles que por ventura desenvolverem algum sintoma clínico são facilmente tratados.

"Hoje ainda ocorrem muitos casos, pois muitos são os tutores que não realizam a vacinação. Temos também aqueles animais que são vacinados com produtos de qualidade inferior, vacina aplicada de forma incorreta, vacina mal armazenada, protocolo incompleto ou incorreto também influenciam na capacidade de defesa do pet contra o vírus", adverte.

Uma orientação super importante, é que o tutor não exponha seu pet com passeios na rua, parques, praças e viagens antes que ele esteja com o protocolo de vacinação completo. Filhotes precisam receber pelo menos 3 doses da vacina para desenvolverem imunidade, e antes disso, se houver contato com o vírus em passeios ou até contato com outro animal doente o risco do seu cãozinho adoecer é muito grande, mesmo que tenha a primeira dose da vacina feita. O protocolo de vacinação pode variar de cada profissional, e também difere um pouco em algumas raças.

Além disso, as doenças virais exigem muito cuidado na higiene e isolamento do ambiente em que o pet doente estava. Muitas vezes os tutores acabam perdendo um pet por complicações dessa doença e logo após introduzem um novo animal na família, no mesmo local. O vírus da cinomose pode permanecer meses viável e capaz de contaminar.

"É preciso solicitar ao seu Médico Veterinário de confiança as orientações corretas para a recepção de um novo pet, para evitarmos que esse também contraia a doença", salienta a médica veterinária.

Surto de Cinomose na região

Segundo Amanda, o surto da doença existe e está avançando pelo fato de muitos animais não estarem vacinados.

"Vivenciamos nos últimos dois anos uma situação semelhante, em que um vírus humano (Covid) se disseminava em alta velocidade e não haviam alternativas de tratamento e a prevenção era apenas o isolamento. Com a chegada da vacina e a população imunizada a situação foi controlada e muitas mortes evitadas. O mesmo ocorre com os vírus de pets, em especial o da cinomose. Temos uma poderosa arma que é a vacinação".

As vacinas estão disponíveis há muitos anos no mercado, são produtos de tecnologia e excelente qualidade e custo benefício excelente. O gasto com a vacina é pelo menos 10 vezes mais barato do que o do tratamento. Os animais tratados exigem muitos cuidados, inúmeros medicamentos, acompanhamento quase em tempo integral. Além disso, o desgaste emocional é muito grande, pois as sequelas da doença deixam o animal em uma condição de extremo sofrimento, levando todos ao seu redor a se sensibilizarem com a situação.

A posse responsável de um pet inclui como um cuidado básico a vacinação. Ela deve ser realizada anualmente, por um profissional Médico Veterinário, pois além de prevenir a cinomose, protege contra muitas outras doenças virais e bacterianas. Apenas com essa simples ação de prevenção seremos capazes de conter o avanço da doença e evitar que nossos filhos de quatro patas passem por esse sofrimento terrível. Vacinar é um ato de amor e de responsabilidade com a vida desse animalzinho, o qual nos comprometemos em cuidar e zelar.

> Receba todas as notícias do Clic Noroeste no seu WhatsApp. Clique aqui

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Três de Maio - RS
Três de Maio - RS
Sobre o município Habitantes: 23.876 (IBGE) Prefeito: Marcos Corso (PP) Aniversário: 3 de maio
Santa Rosa - RS Atualizado às 06h35 - Fonte: ClimaTempo
19°
Poucas nuvens

Mín. 17° Máx. 28°

Ter 31°C 16°C
Qua 31°C 16°C
Qui 34°C 17°C
Sex 37°C 19°C
Sáb 31°C 17°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes
Enquete