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Vila Buricá e a Liga Colonial - A revolução de 1923

A Liga Colonial é um desses eventos importantes e que poucos sabem que aconteceu também na Vila Buricá.

27/08/2021 às 16h39 Atualizada em 15/09/2021 às 19h05
Por: Leomar Tesche
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A Liga Colonial é um desses eventos importantes e que poucos sabem que aconteceu também na Vila Buricá. Essa Liga inicia as suas atividades quando eclode a Revolução de 1923 e por estar desamparada de uma defesa.  Lembramos que em 1923 acontece a Revolução que tem como pano de fundo um movimento armado no período de quase 1 ano entre os partidários do Presidente do Estado Borges de Medeiros (Ximango, usavam lenços brancos) e os aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil (Maragatos que usavam lenços vermelhos).

O pesquisador Sebastião Peres (1994) trata, em parte, dessa questão na sua dissertação de mestrado. Discorre o pesquisador sobre a “resistência passiva”, isolavam-se em quistos étnicos evitando utilizar a língua portuguesa mesmo a conhecendo, inclusive transformando-a em dialeto... além do pomerano e do hunsrück no caso dos alemães. Dessa forma tentavam manter distantes pessoas que não fossem aceitas pelo grupo e possivelmente os “dependentes dos coronéis”.

Criaram-se as Ligas Coloniais como forma de resistência durante a Revolução. A atuação dessas Ligas foi muito importante para a preservação da segurança física e patrimonial de muitas áreas coloniais. Havia um caráter autônomo e apartidário dessas Ligas. Mesmo formando contingente armado não visavam combate, mas sim apenas policiar suas áreas para impedir saques e combates no interior das colônias. Só haveria combate em legítima defesa.

Pertinente trazer o comentário na imprensa cruz-altense (O Commércio, Cruz Alta, 4 de setembro de 1923) para termos ideia do que eram essas Ligas, citado por Peres (1994):

Nos últimos tempos, as forças revolucionárias fizeram requisições em várias casas de Cadeado, município de Ijuí, tendo também levado regular número de cavalos dos colonos residentes naquelas redondezas.

Os colonos, a fim de se preservarem de tais prejuízos, seja de parte dos revolucionários, seja da parte das tropas do governo, ou ainda de bandidos, que se aproveitam da atual situação, resolveram criar um corpo armado para proteção própria, que obedece mais ou menos, ao seguinte programa:

O corpo de proteção individual não se dedica, absolutamente, à política, tendo em vista, unicamente, precaver-se contra requisições, tentadas por qualquer dos partidos e ainda contra assaltos de maus elementos.

Todos os colonos se obrigam a fazer parte da instituição, seguindo à risca as prescrições da diretoria eleita.

Em todas as entradas da colônia são postados fortes piquetes de vigilância, que comunicarão, imediatamente, a aproximação de qualquer grupo suspeito à diretoria.

Sendo ferido ou morto um doa membros da instituição, os demais são obrigados a prestar-lhe todo o socorro, inclusive o de sustentar a família, na última das hipóteses.

Pretendendo uma das forças beligerantes atravessar as terras do referido distrito, tem de comunicar esta resolução com algumas horas de antecedência. A travessia só pode se feita de dia, não podendo durar mais que 12 horas. 

Na Vila Buricá não foi diferente. Em entrevista realizada por volta de 1980, Fredolin Tesche relatou que, então com 12 anos, participara com uma “junta de boizinhos levando alimentos nas trincheiras” e que os revolucionários roubavam o gado e cavalos dos colonos. As imagens anexadas mostram que de fato na Vila Buricá havia uma adesão enorme em prol de sua defesa. Três líderes assumiram a Defesa: Emilio Tesche, Teófilo Tesche (Ex Cabo do Exército) e João Schweig. Conclui o pesquisar de que os colonos já não se submetiam com tanta facilidade à dominação política dos grupos tradicionais. Como não aceitavam os espaços de participação que os grupos tradicionais lhe ofereciam, e não se deixavam cooptar, as comunidades coloniais tratavam de criar os seus próprios espaços.

Hotel Laufer e Farmácia Schüncke onde hoje é a Rua Dr.Bruno Dockhorn esquina com a Av.Uruguai.
A cavalo Teófilo Tesche e Emilio Tesche os demais não identificados
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